Revista QDicas Poderosas - A Arte do Encontro

A Dança dos Opostos

Por Roseli Franco

Casal dançando É comum encontrar nas livrarias muitas publicações que tentam descobrir a chave para o sucesso dos relacionamentos entre homens e mulheres. Assunto difícil. Mas, deixando de lado os muitos livros de teor duvidoso, podemos encontrar observações extremamente relevantes.
A sociedade tem se modificado bastante quando o assunto é relacionamento. Até alguns anos, a mulher dependia do homem para ter recursos necessários para a sua sobrevivência. Isto induzia a um padrão de relação em que a mulher dedicava toda a sua existência a seu núcleo familiar e ao universo doméstico. Atualmente, esta realidade já não é mais o padrão. As mulheres, desde que ganharam espaço num mercado de trabalho - antes somente edificado por homens-, desenvolveram as habilidades necessárias para a execução de trabalhos antes vinculados à perspectiva masculina. Logo, os padrões de relacionamentos mudaram. E muito.

Porém, certos comportamentos não cansamos de testemunhar e até mesmo repetir nos relacionamentos amorosos. Podemos analisar alguns casos típicos, como o das mulheres-satélite que dedicam a sua existência a orbitar em torno do seu homem. Bem, isso pode até manter um relacionamento duradouro, mas provavelmente será difícil manter o erotismo na relação, já que a mulher passa tanto tempo na situação cômoda de servir ao plano de vida do homem. O resultado acaba por prejudicar a mulher: ela perde a falta de contato com quem realmente é. Este é um tipo de relacionamento baseado na dependência psíquica e material, o que ainda compromete a integridade da mulher em questão.
A força erótica se baseia em algo desconhecido que nos instiga o desejo da descoberta, por isso é tão difícil manter o erotismo, a longo prazo. E é justamente este aspecto que fica sacrificado nestas relações em que a mulher é um satélite que orbita ao redor do homem. Os dois não possuem mais nada a ser descoberto. Um se torna a sombra do outro e não um ser que está no processo ativo e infinito de auto-conhecimento e, por isso, sempre com algo novo a ser descoberto pelo outro.

Outro vício é o da doadora compulsiva. Há muitas mulheres que possuem um imenso prazer em doar e, assim que se interessam por um homem, antes de receber qualquer coisa já começam a doar. Doam idéias, afeto, sexo, conselhos, horas e horas dos seus pensamentos, de conversas sobre o objeto do desejo com as amigas e muitas coisas inimagináveis. Querem retribuir ao homem o fato de terem despertado nelas o desejo. Este é um caso onde muito provavelmente ela sairá frustrada e possivelmente não conseguirá manter ou até mesmo iniciar a relação. Isso se deve ao fato de que ela está enfraquecendo o seu poder feminino de magnetizar, à medida em que ela toma todas as iniciativas para a construção da relação, impedindo que o homem seja movido pela atração. O resultado final é que o homem não consegue realizar o movimento de conquistá-la que tanto o agrada.
Este é um padrão que vem crescendo entre as mulheres que conquistaram a sua independência dentro de um mercado de trabalho edificado por homens, já que elas começam a repetir e naturalizar as práticas mais ofensivas e não enxergam nenhum problema em tomar sempre a iniciativa.

Há no mercado norte americano um livro muito curioso sobre o assunto, “Why Man loves Bitches?”. A autora fez uma pesquisa exaustiva com homens sobre o comportamento feminino e detectou 100 regrinhas para tornar mais viável o encontro entre forças de naturezas opostas. A primeira delas é: se você vai atrás dele, ele corre. Parece uma bobagem, mas na verdade tal atitude muito se assemelha com a velha tradição taoísta. Afinal, teremos dois ativos (aspecto masculino) e nenhum receptivo (aspecto feminino) para receber a energia.
Segundo a sexóloga taoísta Maitreyi Piontek: "O tao da sexulidade é a arte de ser capaz de enraizar as energias yang altamente explosivas no abismo silencioso do yin." Para o taoismo, o céu é ativo, masculino, Yan; já a terra é receptiva, feminina, yin. A terra exerce o seu poder através da força da gravidade e logo estimula o poder do céu que é o poder do movimento.

Nós, mulheres, precisamos fortalecer nossa capacidade de magnetizar e de receber. Para isso, é importante criar espaço, gerar vazio e por em ação nossa força yin, subjetiva, profunda, que mergulha no inconsciente e traz de lá os seus mistérios, o mistério da origem da vida. Vazio, espaço, silêncio, anima. Ah... a barulheira e a confusão do mundo contemporâneo ensurdecendo as pequenas orelhas da nossa intuição. Sim amigas, é um esforço chegar no ponto do silêncio e fazer a magia acontecer para unir os opostos.
 "O enraizamento sólido das qualidades yin, que são à base do princípio yang, possibilita que as mulheres se movimentem livremente nas áreas yang, sem se perderem."

Reza também a tradição taoísta que no máximo do yang surge o yin e no máximo do yin surge o yang. Essa é a descrição do Tai Chi representado nesta forma.

Mas uma vez concluímos que não adianta querer se precipitar nas relações. Antes de qualquer coisa, as mulheres devem fortalecer o centro de cada uma, magnetizando o pólo yang íntegro e saudável.

No casamento chinês tradicional, o noivo se veste de azul marinho e a noiva de vermelho. O azul marinho é a cor yin e o vermelho a yang, ou seja, na consagração da união os pólos se invertem e o homem fortalece seus aspectos yin e a mulher seus aspecto yang, gerando a união sagrada dos opostos. Lá, onde se toca no cerne da criação, os opostos cessam de lutar e começam a dançar.

- Piontek, Maitreyi - Desvendando o Poder Oculto da Sexualidade Feminina. Ed.Cultrix -1998