Revista QDicas Poderosas - A Revista sobre Amor, Eros e Sexo.

Ciúme: o avesso do amor

Por Oscar Quiroga

Circula à solta o estereótipo de que o ciúme seja sinal de amor, ou talvez desejo, um ardoroso sentimento de exclusividade que seria consagrado só à pessoa amada, ou desejada. Isso, no entanto, é uma idéia preconcebida a respeito da realidade amorosa.

Sempre me perguntam a respeito da compatibilidade de signos para relacionamento amoroso, ou mesmo sexual, e eu sempre tenho de responder que não se pode reduzir a complexidade do encontro humano a fórmulas simplistas, muito menos depender de raciocínios astrológicos para explicar suas intrincadas sinuosidades.

Quero alertar aqui para o fato de que o ciúme, normalmente tido como expressão amorosa, aponta para o lado contrário, a destruição do amor. E explico: cada ser humano é em si mesmo um projeto divino, essa é, pelo menos, a sensação subjetiva de toda pessoa normal que, sem entender muito bem o porquê, se declara o centro crítico do universo, como se a vida tivesse começado com seu nascimento. Na esfera psíquica, os seres humanos se pensam deuses, e pretendem realizar seus sonhos de grandeza e, penso eu, não há nada mais legítimo do que isso. A história prova que, quando um ser humano decide ser grandioso, ele se realiza e engrandece sua humanidade.

Onde entra o ciúme nisso? Em primeiro lugar, o ciúme que alguém sente é independente da pessoa em que é depositado. O ciumento e a ciumenta carregam essa condição em suas almas e buscam vítimas em quem depositá-la. É esse ciúme que sentem o que torna mesquinho tudo que tocam. Em segundo lugar, o ciúme tece uma prisão em torno de suas vítimas, afogando-as em suspeitas a respeito de péssimas intenções que existem mais na cabeça de quem sente ciúme do que na alma da vítima.

Ora, o amor se caracteriza pelo ardoroso desejo de compartilhar bem-estar e produzir a maior felicidade possível à pessoa amada. Provado está, então, que o ciúme nada na direção contrária do amor.

Se você ama alguém, deixe essa pessoa livre para errar, acertar e fazer o que quiser, pois não será o ciúme, com sua medonha prisão, que evitará que alguém continue sendo livre para realizar seus sonhos de grandeza.

Por outro lado, a experiência confirma que as pessoas ciumentas são as primeiras a praticar a traição, pois de tanto temer serem traídas, elas tomam a dianteira.

Quem ama não atormenta, e o ciúme é, com certeza, uma mortificação, uma punição antecipada de algo que nem aconteceu e que, por sua natureza agressiva, promove o que pretende evitar.

Não é uma loucura? Pois é, maior loucura é que as pessoas desejem tanto o amor, e que o amor pouco aconteça! Pensem nisso!