Todo mundo quer ser amado. Com certeza, você também, que lê estas linhas, cultiva esse desejo em seu coração, que aponta aos mais diversos objetivos, como receber aplausos, ter o reconhecimento dos colegas de trabalho, adquirir fama, obter muito dinheiro, acompanhar-se pelas pessoas mais belas, ser paparicado. Por trás de objetivos tão díspares, sempre se encontra o mesmo desejo,o de ser amado.
O que será, então, que faz com que algumas pessoas sejam coroadas com esta glória, enquanto outras chafurdam na miséria de nunca experimentar o que seja isso? O amor, por acaso, depende de sorte? Mas, então, o que é sorte?
A mim, não parece que o amor seja um sorteio cósmico, em que os agraciados possam se considerar pessoas sortudas. Amor e sorte me parecem andar em direções contrárias, e usar métodos divergentes.
Sim, pois enquanto a sorte significa você estar no lugar certo, na hora certa em que acontece algo interessante, tornando a sua presença mero receptáculo passivo do evento, o amor exige algo mais, muito mais.
O amor não é algo que simplesmente acontece, o amor é uma atividade, um elo que é cultivado de dentro para fora do próprio coração. Amar é uma atividade, não um presente que se recebe do céu, ou de outra pessoa.
Dessa forma, e porque o amor é uma atividade, quando alguém o pratica se torna uma pessoa amável. Amável é alguém digno de ser amado. Como alguém poderia ser amado sem antes ter se tornado uma pessoa amável? Daí é fácil compreender a profunda inutilidade dos lamentos que milhares de pessoas entoam, queixando-se da falta de amor, pois quando observamos suas queixas de um ponto de vista objetivo, tentando compreender o que lhes acontece, logo se percebe que, em vez delas se tornarem amáveis, dando a cada momento o melhor de si, o que elas fazem é gastar todo seu tempo em lamúrias. Quem amaria uma pessoa que se lamenta o tempo inteiro? No máximo ela conquistaria compaixão, e olha lá!
As pessoas amáveis são aquelas que amam a despeito de serem amadas, e essa atitude amorosa é tão mágica que elas se tornam independentes da sorte, porque a presença delas é um talismã, o próprio amuleto da sorte, são aquelas cujas presenças são disputadas por todos.
É isso mesmo, para ser amado, não devemos esperar que isso nos aconteça, devemos começar a praticar o amor e, enquanto o praticamos, compreenderemos que isso que buscávamos fora, em outras pessoas ou na acumulação de objetos e honrarias, sempre esteve ao alcance da mão: o amor uma graça que se concede graciosa e gratuitamente a quem se atrever a arrancá-lo do próprio coração, colocando-o em prática.