A menina Maritéia, num dia ensolarado de inverno, foi se encontrar com o rio. De chapeuzinho de palha, sentou numa pedra e pôs-se a admirar o corpo denso e translúcido das águas.
Ainda estava frio, mas o sol foi por já esquentando o corpo da menina que começava a desejar. Com os sentidos ardendo, Maritéia entrou lentamente no rio, que de primeiro foi lambendo doce seus pés. Ela, de mansinho, entregava-se às carícias daquele amante. O rio borbulhava e enroscava-se nela, borbulhava e enroscava.
Foi quando ela, então, aproximou-se de onde as águas corriam mais forte. Tão forte que queriam levar seu corpo, mas era esse que a guiava naquele sublimoso. E por causa dele, do corpo quente, se agarrou numa pedra que fazia a água descer ainda mais reta, ereta.
O céu estava tão azul! Ela, tão amada, afastou para o lado o maiô com flores brancas que vestia e, num de repente, o rio empurrou a perna da menina para um lado, a outra para o outro. Maritéia deixou a cabeça para trás, tombar. O rio, deixou-o entrar. Sol riu.
Joãozinho, menino queredor, dia desses quis saber e perguntou à Maritéia por que será que o rio não pára de cantar?
A menina agora já tinha a resposta. Mas João não tinha como saber isso dela, não; a não ser que virasse rio.
Foi o que disse dia desses quando o menino pediu um pouquinho do doce dela.
Ah, João! Num dô não.
Só um beijinho.
Ah, João! Só se você virá rio.
Demorou, foi custoso, mas o menino percebeu o entendimento, e fez-se rio. Numa noite boa, deitou em Maritéia. Borbulharam, enroscaram.
E desde então, os meninos só passarinhavam, namoravam sempre.