Dr. Harville Hendrix
Na cultura de hoje, em que a monogamia consecutiva é um modo de vida, a idéia de um compromisso permanente com um só parceiro assume um ar curioso e antiquado. A pergunta atual é: “Este casamento deve ser salvo? E milhões de pessoas decidem que a resposta é não”. Vêem o divórcio como uma oportunidade de crescimento pessoal. Mas, para o Dr. Hendrix, a menos que a pessoa entenda seus desejos inconscientes, a relação com o novo parceiro está destinada a encalhar na mesma rocha.
O Dr. Hendrix aposta tanto no casamento que desenvolveu uma série de 16 exercícios que, segundo ele, se feita ao longo de dez semanas, evita que milhares de casais se separem. Como o assunto dá “pano para manga”, vamos deixar os exercícios para a próxima reportagem, e convido vocês a me escreverem sobre suas impressões, porque com essas dicas eu me aventurei a dar uma boa olhada no motivo de o meu casamento de 18 anos não ter durado por toda a eternidade; e já engrenei em um workout de prevenção para a próxima relação!
Cada capítulo do livro abre com uma citação provocante. Eu não sabia se ria ou chorava com essa:
"Na literatura como no amor, ficamos estarrecidos com que os outros escolhem"
Esta frase de André Maurois fornece o sumo do que está contido neste best-seller, que vendeu mais de um milhão de exemplares. Sabe o que escolhemos?
Um parceiro que apresenta as característica dos nossos pais!
Antes de você contestar, saiba que o Dr. Hendrix, depois de fazer terapia em milhares de casais que estavam a ponto de se separar, descobriu que a razão primordial para você ter se apaixonado pelo seu parceiro não é a beleza, a juventude, o emprego importante, as gentilezas ou o ”valor em pontos” equivalente ao seu. Você se apaixonou porque seu cérebro “antigo” confundiu seu parceiro com seus pais. Ele acreditou que finalmente conseguiu encontrar o candidato ideal para compensar os danos psicológicos e emocionais que você sofreu na infância.
Embora já sejamos seres adultos, uma parte oculta de nós ainda espera que o mundo cuide de nós. Quando o parceiro se mostra hostil ou pouco disposto a atender a nossas solicitações, o cérebro dispara um alarme que nos enche de medo da morte. À medida que o bebê cresce, busca autonomia e independência. A reação dos pais sedimenta as impressões que ficam em nós, anos mais tarde. Por exemplo: se uma garotinha sai da sala e a mãe grita: “Não saia daqui! Você pode se machucar!”, ela volta por medo, mas o impulso de autonomia está sendo negado. O medo de ser absorvida se torna uma parte do seu temperamento e, no futuro, ela vai fazer parte do grupo dos que “ procuram se isolar”. Esse tipo de pessoa não quer ficar “amarrada” em um único relacionamento, e ser independente estará na sua lista de prioridades, mesmo após o casamento.
Para outros filhos, os pais fizeram o oposto. Podem ter dito: “Vá embora, estou ocupado”, “ vá brincar com seus brinquedos” ou “pare de ficar atrás de mim”. Essas crianças no futuro fazem parte do grupo que “entra em fusão”. Têm uma necessidade insáciável de intimidade, fazer tudo junto o tempo todo. Desejam constantemente afeto, contato físico e comunicação verbal. Por trás deste comportamento pegajoso está uma criancinha que precisava um pouco mais de tempo no colo dos pais.
Por incrível que pareça, estes dois tipos de personalidades acabam se casando e começa assim um irritante jogo de puxa e empurra que não satisfaz a nenhum dos dois.
Embora nossos pais tivessem a melhor das intenções, a mensagem geral que nos transmitiram é de gelar os ossos.
Toda vez que nos queixamos de “não poder pensar”, “ não sentir”, “ não saber dançar”, “não ter orgarmos”, “não ter criatividade”, estamos apontando para sensações, pensamentos ou capacidades naturais que removemos cirurgicamente da percepção, porque nossos pais só aprovaram uma parte de nós. Chegamos à conclusão de que não podíamos ser quem somos por inteiro.
Que tipo de pessoa o ajudaria a recuperar a sensação de plenitude?
Basta olhar em volta para ver como as pessoas escolhem parceiros com traços complementares aos seus. Jonas é comunicativo e conversador, Jessica, a mulher é pensativa e introvertida. Paula é intuitiva, já o marido Lucas é extremamente racional. O que as pessoas procuram é recuperar o eu perdido.