Bons filmes combinam com boas amigas! Entre as ótimas alternativas em cartaz, difícil foi fazer a escolha. Optamos (ou será que optei?) pelo “O caçador de pipas”, pois gostaria de ver um filme baseado num livro. As boas amigas aceitaram a sugestão!
Sempre que vejo filmes cujos livros tiveram um impacto muito forte, sinto um frisson. É um misto de expectativa de ver materializado tudo o que imaginei através das páginas, e medo da decepção, pelo mesmo motivo.
Com este filme não foi diferente. É um enorme desafio condensar emoções do presente e minuciosas memórias descritas de forma atemporal, numa seqüência inteligível e cheia de significado cronológico.
E tudo isso em um mísero par de horas!
O resultado, para quem não leu o livro, é até mais interessante, seguindo fielmente a trama central, muito densa, por vezes áspera, como a transformação do cenário político-religioso do Afeganistão. A história é pontuada pelo preconceito entre as diferentes origens ancestrais dos filhos dessa mesma terra tão bela.
A trama narra a vida de Amir, que ainda criança foge com o pai do Afeganistão, tomado pelo Talibã, e imigra para os EUA. Já adulto, o escritor volta à terra natal e, através de um ato tão arriscado quanto nobre, acerta as contas consigo mesmo e com seu passado. Falar mais sobre o enredo em si tiraria a surpresa do espectador, que certamente irá se emocionar em várias seqüências.
Para quem leu o livro, alguns “grandes” detalhes não foram lembrados. O pano de fundo cultural do Afeganistão e até a importância do festival de pipas que dá nome ao filme e ao livro não tem a sua relevância no contexto bem evidenciada.
Faltou também contextualizar o personagem central, que no filme aparece somente como “o malvado” quando criança, virando o “herói” na época de adulto.