Os remédios que anulam os males que assassinam os relacionamentos humanos (como expliquei na coluna anterior) são óbvios, e sua falta de aplicação estarrece e leva a pensar no quanto nossa humanidade resiste a fazer algo a favor da felicidade e da evolução, preferindo sempre indispor-se contra qualquer assunto que a leve para além do limite de seu ego, o qual, é claro, não vê nada além do próprio nariz.
O fator de união das almas humanas é sempre o sonho, a vontade de compartilhar projetos e imaginar um futuro maior e melhor. Por isso, o primeiro remédio contra tudo que perverterá esse caminho é a estabilidade. Como? Bem, antes de mais nada não se deve confundir estabilidade com a impossibilidade de perder-se, confundir-se ou desorientar-se. Pelo contrário, o fator estabilidade é o que assegura às pessoas que se relacionam a liberdade de errar, mas também de corrigir o erro, demonstrando com isso que o sonho inicial continua estável. Numa vida agitada e estúpida como a moderna, é inevitável que as pessoas se percam, ou caiam em tentações efêmeras, só que, em vez de se fazer exigências de fidelidade impossíveis, elas deveriam apostar no fortalecimento de suas intenções iniciais para, assim, sempre voltar ao caminho inicial.
O segundo remédio é a coerência, eliminar o máximo possível de discordância entre o que se predica e o que se pratica. Não há nada mais nocivo para um relacionamento do que dizer “eu te amo”, e ao mesmo tempo se praticar o contrário. A mentira é a filha mais dileta dessa discordância. Porém, de novo, o remédio da coerência não funciona quando se exige essa virtude, mas aplicando-a toda vez que for necessária, fazendo-se as devidas correções de rumo em cada situação que tiver sido contaminada pela incoerência.
O terceiro remédio é o mais forte, e também o mais difícil de se aplicar, pois exige que as pessoas pensem em si mesmas, e no relacionamento, como fazendo parte de um todo maior, que é a vida. Este remédio consiste em cultivar a segurança de que se está em contato com a vida, que tem um plano inefável, e de que o relacionamento é uma oportunidade de se instalar um foco irradiador de boa influência que sirva à evolução humana, pois se não for assim acontecerá o contrário, o relacionamento irradiará uma péssima influência que se multiplicará amplamente. Infelizmente, é isto que acontece normalmente.
Neste último remédio se coloca em jogo a fé, sendo ela a que renova a aspiração inicial, aquela mesma que fez as pessoas se elacionarem.
Fé é a necessidade básica.
Fé é a substância com que são feitos os sonhos e as esperanças.
Fé é a evidência única que a mente humana tem a respeito do que não consegue ver, mas pressente.