O correio eletrônico é uma das maravilhas modernas, mas também é um meio perigoso quando se fala sobre o relacionamento homem e mulher. Explico: o que leva o sujeito a responder uma mensagem de uma ex-namorada com o assunto “saudade”?
Imagine a situação: você acessa seu e-mail e, entre a newsletter com ofertas da sua loja preferida, correntes de amigos e piadas, você reconhece um remetente e, curioso, checa a mensagem que recorda o passado e aponta para um futuro encontro. Armadilha!
Mulheres gostam de expressar seus sentimentos, mesmo que por meio da tecnologia, e nós, homens, adoramos brincadeiras – ainda mais as virtuais. Sem contar que gostamos de demarcar território.
Ao receber uma mensagem em que ela se declara saudosa, o homem logo pensa: “aí tem!”. E, se por acaso a remetente deixou a tecla “caps lock” acionada, o jogo se torna mais excitante. É como se ela estivesse pedindo para ser notada com mais veemência entre o lixo eletrônico da sua caixa de mensagens.
O fato é que, mesmo que a resposta seja demorada – segundo consulta a amigos ela pode levar até três meses -, uma vez que se dá um “reply”, estamos dando margem para que mais um jogo se inicie.
Responder a um e-mail da ex 30 dias depois do recebimento leva ela a crer que: 1) você guardou a mensagem, 2) você pensou para responder e 3) você ainda pensa nela.
Para nós, guardar este e-mail significa uma possibilidade que não se descarta. A mensagem não precisa ter um roteiro do nosso último mês, mas frases-chave como “oi linda!”, “Tenho trabalhado bastante” e o desfecho arrebatador: “tb tenho saudade”.
Perceba que o sujeito fez um agrado – ele já começa a mensagem com um adjetivo -, mesmo trabalhando bastante não deixou de responder ao e-mail e ainda nutre o mesmo sentimento que ela.
Essa brincadeira faz bem para o nosso ego, afinal, que homem não gosta de ter uma mulher sempre por perto, à espera de uma ligação?
O perigo está na condução do jogo. Sim, porque o feedback pode levar a vítima – ou seria provocadora? – a instigá-lo a querer mais. “Espero que tenha tempo para se divertir...” escreve ela na “RE:RE” se referindo ao seu “tenho trabalhado bastante”. Na verdade, o que ela quer é um telefonema – e obviamente um convite para sair.
E aí meu amigo, se a mensagem virtual se transformar em encontro real, cabe a você fazer o caminho inverso para que tudo volte ao normal, sem cobranças ou grandes expectativas. Isso, claro, se a sua intenção não for nada além do “recordar é viver”.
Uma boa maneira de voltar ao começo do jogo é dar um restart, abrir uma mensagem em branco e ser “quase direto” – lembre-se: nós nunca vamos direto ao ponto. “Adorei o encontro. Quem sabe a gente não repete isso mais vezes. Bj ;)”
Quando? Quem sabe daqui a outros três meses...