Revista QDicas Poderosas - A Revista sobre Amor, Eros e Sexo.

Tempo, tempo, tempo, tempo...

Por Lorena Love

A qualidade de um relacionamento se mede pelo tempo que ele dura ou pela intensidade com que se vive? Difícil responder, foi a conclusão a que eu e mais duas amigas chegamos depois de discutir o assunto exaustivamente.

A deixa para o debate foram as minhas duas semanas e três dias e meio de amor com o espano. Depois de desaparecer por esse tempo da vista das minhas amigas, resolvi marcar um chope para colocar o papo em dia. Cheguei com um sorriso de orelha a orelha e o discurso de que tudo que é bom dura pouco. E levei um balde de água fria.

Tudo porque, para uma de minhas amigas, de nada adianta se envolver com um cara que não vai ficar. Pode ser tudo muito lindo, intenso e, principalmente, sem problemas. Mas depois que ele vai embora, você está sozinha de novo.

Minha outra amiga fez coro e, segundo ela, com conhecimento de causa. Ano passado, ela resolveu viajar para ver a Copa do Mundo na Alemanha. Lá, conheceu um francês lindo, com quem comemorou a ida da França para a final em grande estilo (entenda-se cerveja, champanhe e uma noite inesquecível no hotel). De volta ao Brasil, continuaram a se falar até que surgiu a oportunidade de ela ir a Paris a trabalho, onde ele morava. Combinaram de se encontrar e tudo que aconteceu foi um jantar insosso, no qual ele a tratou como uma irmã.

A conclusão dela foi de que não havia valido a pena. Primeiro, porque não teve continuidade e depois, porque o cara que ela encontrou em Paris não parecia ser o francês fofo e divertido que ela conhecera na Alemanha.

Não sei o que vai ser do meu espano. Nem sei também se esperava arrumar um amor para a vida toda. Mas, sinceramente, essas duas semanas atípicas, sem regras e exageradamente românticas me fizeram um bem...parecia que eu tinha voltado à adolescência. É dura a vida! A gente passa a adolescência querendo ser adulta e quando chega aos 30, tudo que a gente quer é voltar a ter 15 anos.

Brincadeiras à parte, fico me perguntando se um relacionamento de quatro anos, como o que tive, foi melhor do que minhas duas semanas com o gringo. Meu namoro não foi só um mar de rosas. E muitos casamentos que conheço também não são. Há tanta gente que fica junto aos trancos e barrancos, brigando todos os dias, faltando com respeito ao outro só para dizer que está acompanhado. Já fizeram até uma peça sobre isso, diga-se de passagem.

Não quero um amor em doses homeopáticas, mas será que nós, mulheres, não estamos muito presas à idéia de ter que viver um amor para sempre? Será que juntos até que a morte nos separe não é coisa do passado?

Talvez um amor passageiro realmente não seja o ideal, mas para mim, foi como se fosse um refresco. E fui muito feliz assim.