Revista QDicas Poderosas - A Revista sobre Amor, Eros e Sexo.

O Amor e a Bossa Nova

Por Claudio Lyra

No ano de 2008, completam-se 50 anos de uma revolução estética na cultura brasileira: a Bossa Nova. Muitas foram as inovações trazidas por este novo gênero musical e, como estamos no mês dos namorados, quero lembrar como ele mudou a maneira de falar de amor na música popular brasileira.

Durante os anos 40 e até meados dos anos 50, a música brasileira era dominada pelo samba-canção que, apesar do nome, era uma espécie de bolero. Freqüentemente referia-se ao amor de forma trágica exaltando o sofrimento, a traição e a solidão de maneira teatral e voz impostada.

No final dos anos 50, os jovens que moravam na zona sul do Rio de Janeiro, com suas lindas praias e garotas, não se identificavam com essas músicas “dor-de-cotovelo” como “Ninguém me ama”, de Antônio Maria: “ninguém me ama/ninguém me quer/ninguém me chama/de meu amor”.

Rapazes como Tom Jobim, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal reuniam-se nos apartamentos à procura de uma música que falasse da realidade ensolarada em que viviam. Havia no ar um sentimento de que algo novo estava para surgir.

Essa busca chegou ao fim quando João Gilberto apareceu com a sua famosa batida de violão e um jeito suave de cantar. Ele era o intérprete perfeito para as canções que falavam de maneira descompromissada sobre amor, praia, sol e mar.

Um bom exemplo é “Chega de Saudade”, da dupla Tom e Vinícius, cuja gravação de João é considerada por muitos como o marco inicial da Bossa Nova:
“…Ah se ela voltar, se ela voltar/ que coisa linda/ que coisa louca/ pois há menos peixinhos a nadar no mar/ do que os beijinhos que darei na sua boca…”

A nova música trazia um frescor e um senso de humor nunca antes ouvido, caindo rapidamente no gosto da juventude, que finalmente ganhava voz própria.

O curioso é que, ao mesmo tempo em que as canções passaram a ter um tom coloquial, a letra da música popular, que antes era vista como algo menor, ganhou status de poesia. O grande responsável por esta mudança foi Vinícius de Moraes, diplomata e poeta conceituado quando começou a escrever letras. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, foram alguns dos poetas/compositores diretamente influenciados pela Bossa Nova.

A música brasileira deve muito do seu prestígio internacional à Bossa Nova. Em seu quinquagésimo aniversário, ela é cada vez mais cantada e ouvida em todo o mundo, sendo uma referência de música romântica e sofisticada por falar de amor de um jeito lúdico e possível.

No próximo dia 12 de junho, caso queira um clima mais intimista, abra um bom vinho, coloque um disco de Bossa Nova para tocar e não tem erro, a noite está garantida!