Revista QDicas Poderosas - A Revista sobre Amor, Eros e Sexo.

O primeiro amor de Maritéia

Por Mariana Dias

A menina Maritéia, num dia ensolarado de inverno, foi se encontrar com o rio. De chapeuzinho de palha, sentou numa pedra e pôs-se a admirar o corpo denso e translúcido das águas.

Ainda estava frio, mas o sol foi por já esquentando o corpo da menina que começava a desejar. Com os sentidos ardendo, Maritéia entrou lentamente no rio, que de primeiro foi lambendo doce seus pés. Ela, de mansinho, entregava-se às carícias daquele amante. O rio borbulhava e enroscava-se nela, borbulhava e enroscava.

Foi quando ela, então, aproximou-se de onde as águas corriam mais forte. Tão forte que queriam levar seu corpo, mas era esse que a guiava naquele sublimoso. E por causa dele, do corpo quente, se agarrou numa pedra que fazia a água descer ainda mais reta, ereta.

O céu estava tão azul! Ela, tão amada, afastou para o lado o maiô com flores brancas que vestia e, num de repente, o rio empurrou a perna da menina para um lado, a outra para o outro. Maritéia deixou a cabeça para trás, tombar. O rio deixou-o entrar. O Sol riu.

Joãozinho, menino queredor, dia desses quis saber e perguntou à Maritéia por que será que o rio não pára de cantar?

A menina agora já tinha a resposta. Mas João não tinha como saber isso dela, não; a não ser que virasse rio.

Foi o que disse dia desses quando o menino pediu um pouquinho do doce dela. Ah, João! Num dô não. Só um beijinho. Ah, João! Só se você virá rio.

Demorou, foi custoso, mas o menino percebeu o entendimento, e fez-se rio. Numa noite boa, deitou em Maritéia. Borbulharam, enroscaram.
E desde então, os meninos só passarinhavam, namoravam sempre.