Então a data mais temida do ano para as solteiras chegou. Eu já estava sofrendo de TPDN (tensão pré-Dia dos Namorados) devido ao bombardeamento de comerciais e propagandas sobre a data. Para mim, claro, esse ano, o 12 de junho não passava de uma data comercial. Irritava-me ver que agora até os ônibus com painel eletrônico mostravam mensagens de Feliz Dia dos Namorados. Natal e Ano Novo vai lá, mas Dia dos Namorados, me poupe! Será que eles não se tocam que os muitos solteiros podem ficar magoados? Afinal de contas, achar alguém legal para chamar de seu não é tão fácil assim.
Pois é, todo meu discurso de que o dia 12 era só mais uma data no calendário cristão e o que valia mesmo era o 13 foi por água abaixo. No trabalho, as amigas comprometidas não paravam de falar nos grandes planos para a data e eu me esforçava para lembrar das grandes filas e restaurantes lotados, inconvenientes clássicos do tão valorizado do Dia dos Namorados.
Festas para solteiros eu também não estava nem um pouco afim de encarar. Pode ser caretice minha, mas sempre achei que eram mais festas de desesperados do que qualquer outra coisa. Melhor mesmo era ficar em casa.
No fatídico dia, me ocupei ao máximo de trabalho, ignorando os buquês de flores que chegavam para as minhas colegas. Já estava escolhendo o filme de terror que iria ver à noite, para afastar os pensamentos românticos e/ou nostálgicos, quando meu telefone celular tocou.
No visor, aparecia apenas 000. Muito estranho pois, para mim, esse sempre foi o telefone de Dona Bolha, a amiga fantasiosa de Dona Benta do Sítio do Picapau Amarelo. Seria uma mensagem publicitária da operadora? Era o que me faltava, mas mesmo assim resolvi atender.
- Hola! Feliz Dia de los Enamorados!
A vida não é cheia de surpresas maravilhosas?