Como bom brasileiro, você deve adorar música. Volta e meia você assovia no meio da rua, canta no banheiro e sussurra uma canção no metrô. Quando não estou no Brasil é que noto como a música faz parte do meu inconsciente. Tem gente que me pára na rua aqui na Califórnia, quando me vê cantando, para perguntar se estou de bom humor. Sim, sim, sim! A música me alimenta, me renova, me distrai, me alegra, me lembra coisas que esqueci (e que às vezes não estou a fim de lembrar de novo). Ou traz momentos que nunca mais esquecerei.
Mamãe cantava que nem um passarinho, e sempre me lembro de uma canção que ela vivia cantarolando quando eu era pequena. “Um pequenino grão de areia que era um velho sonhador…” (“Estrela do Mar”, composição de Paulo Soledade gravada por Dalva de Oliveira em 1951). Até mesmo um carioca boêmio da Turma dos Cafajestes tem suas horas de romantismo. Outra pérola que ela cantava era “Meu primeiro amor tão cedo acabou só a dor deixou nesse peito meu” (Herminio Gimenez - Versão de José Fortuna e Pinheirinho Júnior). Ah, dor de cotovelo… E até hoje lembro daquele LP da Bethânia em que ela cantava e recitava poesias (Drama/1972). Um clássico.
Minhas relações sempre foram acompanhadas de músicas.
Quando me apaixonei pela primeira vez, gravei uma fita com músicas que me lembravam o dito cujo e dei pra ele. Qual não foi minha surpresa quando Júlio (hoje em dia grande fotógrafo de esportes no Rio de Janeiro) me contou que ainda tinha a tal fita.
Pode?! Que lindo! Na realidade dei essa fita numa tentativa de voltar com ele… É que naquela época, como boa católica, transar só quando eu casasse. Ele então arranjou outra…buá!! Bem, com a ajuda de um amigo meu, Dudu. Nesta fita, gravei um monte de coisas que a Elis gravou:
“Atrás da Porta”, “Pois é” e também “Esse Cara”. Além disso, gravei minha voz falando um dos meus poemas. Romantismo perde. Que nada, se ganha! Faça você também! Se não for um CD, grave uma fita mesmo,