Quando os opostos se atraem... E não se desgrudam mais
Por Leticia Rio Branco
Ele é calmo. Ela é espevitada. Ele gosta de ficar em casa. Já ela adora uma rua. O empresário e ex-modelo Paulo Henrique Porto Serrano e a produtora de moda Babi Lima são assim, completamente diferentes. E apaixonados. Juntos há quatro anos, os cariocas, que se conheceram numa festa e não se largaram mais, são um exemplo de que as diferenças fazem bem. E muito.
“As diferenças acabam na mesma hora em que a amizade e o respeito aparecem”, assegura Paulo Henrique, de 32 anos. Babi, de 27, tem um discurso mais certeiro: “Tem hora que o outro irrita, mas aí é só pensar no que ele tem de bom e pronto. A irritação passa”.
Durante a entrevista para a revista “QDicas Poderosas”, os dois demonstraram estar em sintonia total, na sala do apartamento que dividem há dois anos, na Barra da Tijuca, no Rio. Na hora de pegar no batente, o casal também troca figurinhas : Babi dá uma ajuda na grife Manual, que Paulo Henrique tem com a mãe, Maria Manuela. Para eles, nem de longe isso joga água na relação.
“A gente é muito feliz. Mesmo”, enfatiza Paulo Henrique, enquanto corre para brincar com a cadela do casal, Pretinha.
- QDicas: Como foi o início de tudo?
- Paulo Henrique: A gente se conheceu na festa da Cartier. Ela conhecia um amigo meu e me apresentei para ela no meio da noite. Achei a Babi a maior gata e o que senti foi uma atração borbulhante. (Risos).
- Babi: Eu vi e gostei. Pensei: esse vai ser o alvo da noite. Fui insistente, pois ele fugia de mim. Foram oito meses de espera para ele assumir o namoro. Confesso que não agüentava mais.
- QDicas: Por que tanta demora em assumir o relacionamento?
- Paulo Henrique: Estava desiludido, com medo de ter um envolvimento maior. Não estava conseguindo ter uma relação profunda, saca? Mas, tudo tem a hora da virada, até mesmo o medo do relacionamento. Concluí que somente namorando poderia superar os meus traumas. Ou eu me permitia, ou ficaria assim para o resto da minha vida.

- QDicas: O que mais gostam um no outro?
- Babi: A paciência que ele tem comigo. Eu perturbo demais o Paulinho, quero saber tudo. E olha que quando pergunto, ele tem que me responder. (Risos). Sem contar que ele me leva e me busca nos lugares, sem reclamar, quando estou trabalhando nos horários mais loucos.
- Paulo Henrique: Admiro a sinceridade, o caráter e a autenticidade dela.
- QDicas: E o que não gostam?
- Babi: Ele demora muito para se arrumar. Até brinco que, no dia em que a gente for se casar, ele tem que marcar um horário para chegar antes de mim. Acho que o mais difícil é lidar com as diferenças mesmo.
- Paulo Henrique: Não tem uma coisa que não goste nela. O que me incomoda, algumas vezes, é a nossa falta de sanidade mental. (Risos).
- QDicas: Como decidiram dividir o mesmo teto?
- Babi: A gente dormia sempre junto e, quando percebi, já estávamos praticamente casados. A gente não falava sobre isso, simplesmente aconteceu. Mas confesso que foi bastante complicado, pois muitas vezes me irritava quando ele chegava muito tarde do trabalho. Hoje, aprendi a ser mais tolerante.
- Paulo Henrique: Sob o mesmo teto, a maneira que cada um se comporta aparece mais, com certeza. Somos muito diferentes: sou mais paciente, ela é mais estourada; a Babi é mais imediatista e eu sou um cara mais zen. Mas as nossas diferenças são boas para o crescimento de uma relação. Nos complementamos.
- QDicas: O que mudou na relação depois que foram morar juntos?
- Babi: Muda tudo. Quando se divide o mesmo teto, aí sim você tem que aprender a aceitar as diferenças, pois tudo aparece.
- Paulo Henrique: As cobranças aparecem mais.
- QDicas: O que faz a relação dar certo?
- Babi: A lealdade, a fidelidade.
- Paulo Henrique: Temos muito respeito entre nós.
- QDicas: Hoje em dia, muitos casais não buscam a fidelidade num relacionamento estável. Vocês, mesmo formando um casal jovem, vão na contramão dos novos rumos e optam por uma relação à moda antiga. Por quê?
- Paulo Henrique: Olha, nem é sobre a fidelidade em si. Tem mais a ver com a lealdade que você tem pela pessoa. Cada um deve ser leal com o que sente. E, se você está feliz numa relação, não tem motivo para procurar uma pessoa de fora. É nisso que acreditamos.
- Babi: Você também pode não estar sendo fiel a si mesmo. Se está infeliz com quem está ao seu lado, como se estivesse carregando uma cruz, está indo contra o que sente. Nós valorizamos o que está dentro do nosso coração.
- QDicas: Vocês brigam muito, pelo fato de serem muito diferentes?
- Babi: De vez em quando temos umas briguinhas sim. A gente tem um pouco de ciúme um do outro. Teve até um casamento de um amigo do Paulinho que ele resolveu ter uma crise de ciúme. (Risos). Mas não somos muito ciumentos. E, quando brigamos, falo um monte de besteira, me arrependo, e depois fazemos as pazes.
- Paulo Henrique: A gente briga como qualquer casal. Não é o ciúme em si, mas sim pequenas crises que acontecem em todas as relações. A Babi fica brigando sozinha, eu apenas escuto, calado. Esse é o segredo. Quando perco a calma, dou umas porradas na parede e pronto. Está tudo resolvido.
- QDicas: Vocês acham que vão ficar juntos para sempre?
- Paulo Henrique: Acho que para sempre é muita coisa. Pelo menos uns dias, até amanhã de manhã, quem sabe? Essa coisa de casamento, para homem, é algo bem complicado. (Risos). Gosto de acreditar que a Babi é a pessoa certa agora. O que importa é se estamos felizes no presente.
- Babi: A gente não pensa assim, achamos que temos que dar um passo de cada vez. Por exemplo, eu quero ter filhos, casar de véu e grinalda. O Paulinho não pensa assim, por enquanto. Mas vou mudando a cabeça dele. A mulher enche tanto o saco que o cara acaba dizendo sim. (Risos).