A fórmula é simples: você junta um montão de sonhos de duas ou mais pessoas, faz elas desfrutarem do vôo da esperança, põe elas a conviver diariamente e, por fim, dosa, de forma crescente, péssimas atitudes.
Assim, as boas intenções iniciais, que surgem dos sonhos, se tornam escassas por causa da incapacidade de se preservar a nota emitida pelo toque do amor, aquele mesmo que inspirou as pessoas em sentimento, desejo, ação e a síntese de todas as opções anteriores.
Seja no romance ou nos negócios, o amor é a cola que faz as pessoas se relacionarem. O amor faz com que, somente pelo sentimento, elas tenham vontade de proteger-se mutuamente, ou que, pelo desejo, queiram ser felizes e fazer felizes seus semelhantes, e ainda que, pela ação, anseiem libertar-se do sofrimento e do isolamento. A síntese, que raramente se atinge em qualquer relacionamento, é a realização dos três objetivos anteriores, inspirados pela nota emitida no toque do amor.
Como se perdem tais nobres intenções? Por que o fim do amor? Por que essa vontade nefasta de assassinar o que dá sabor à vida?
As péssimas atitudes que aparecem sorrateiras, e logo se tornam corriqueiras, são as responsáveis pelo assassinato do amor, e com ele, do relacionamento também.
Essas péssimas atitudes podem ser catalogadas da seguinte maneira: a tendência a criticar, a indulgência com que se tratam os pensamentos venenosos, odientos e raivosos, e que permitimos que habitem em nossa própria mente. Também, no terreno da mente, o cultivo de sofisticadas teorias com que se pensa o relacionamento, porém todas de natureza mentirosa. Entram neste catálogo, também, as fofocas de cunho destrutivo que se dizem e se permitem dizer nas costas das pessoas; a imputação de motivos nas atitudes de outrem, como se fosse possível ler os pensamentos alheios e saber mais das outras pessoas do que elas mesmas. Logo começam também a envenenar o relacionamento através de ambições frustradas, ressentimentos, desejos insatisfeitos, tanto de ordem sexual quanto de proeminência ou reconhecimento. Em seguida aparece um veneno maior, que é o desejo de superar o parceiro ou parceira em força, intensidade e razão, e assim vai a lista. Porém, toda ela é a manifestação variada de uma só causa, o egoísmo, ou dito de outra forma, a soberba mental.
É triste constatar que, quanto mais puro e elevado o amor inicial, mais insidioso é o ataque desses venenos.
Está posta, então, a fórmula de como assassinar um relacionamento. Você, que é um ser humano, poderá sempre decidir livremente se usa ou não as fórmulas disponíveis no Universo, pois é assim, que neste mundo complexo que é o humano, o mesmo veneno que mata pode, também, se converter no antídoto que cura.
Uma das grandes dificuldades de todo relacionamento é a preservação desta dinâmica em bom funcionamento e em todos os níveis simultaneamente.