Nem só de cinzas de ex é feito a vida de quem é solteira. Vez por outra, surge uma nova luz no fim do túnel. A minha apareceu na sexta-feira retrasada, na despedida de uma amiga que foi morar na Espanha (e que graças a Deus não foi barrada ao tentar entrar no país).
Antes de mudar de país, minha amiga havia se correspondido com alguns espanhóis, na tentativa de fazer amigos e buscar informações de onde vai morar.
Um deles resolveu visitar o Brasil pela primeira vez e - benza Deus - , foi convidado para a despedida.
Começamos a conversar meio que por acaso, já que ele parecia deslocado na mesa cheia de brasileiros, que falavam tudo ao mesmo tempo agora. O papo foi o de sempre: o que você veio fazer no Brasil, o que já viu, o que quer conhecer. Moreno de olhos verdes, não foi difícil para ele me convencer a bancar a guia turística. Até porque, se ele não pedisse, acho que eu ia ter que me oferecer.
Combinamos então de nos ver na terça. O itinerário foi bem clichê: começamos pelo Corcovado, Pão de Açúcar e um almoço na Urca. Não preciso nem dizer que o lindo cenário carioca só contribuiu para aumentar o clima entre a gente. Nem o meu Portunhol 3.0 atrapalhou nossa interação.
Para não deixar a peteca cair, marquei para a quinta-feira um jantar no centro histórico da cidade. Tudo corria muito bem, quando desabou um temporal. As ruas alagavam rapidamente e decidimos pedir a conta.
Saímos do restaurante e quem disse que conseguíamos achar um táxi? Molhada até a alma e com água pelas canelas, eu devia estar a mais pavorosa das criaturas. Mas, ao contrário do que eu temia, ele nem parecia notar isso e em meio a todo esse caos me tascou um beijão. Foi só o início de uma noite inesquecível.
No dia seguinte, febre alta e gripe. Mas nunca fiquei tão feliz por estar doente!